Trade-in

Como consultar o IMEI antes de comprar celular usado: o checklist do lojista

8 min·Atualizado em 04/10/2026

Antes de pagar por um celular usado, seja do cliente no trade-in ou de um fornecedor, confira cinco coisas: (1) se o IMEI do aparelho é o mesmo da caixa e da nota e tem formato válido; (2) se esse IMEI não está impedido por roubo, furto ou perda; (3) se a conta Apple (iCloud) ou a conta Google já foi removida; (4) se o aparelho não é gerenciado por empresa e não tem peça trocada sem você saber; (5) como estão a garantia e a bateria. Só pague depois disso, com documento do vendedor e tudo registrado.

Parece muita coisa para fazer no balcão, mas leva poucos minutos quando vira rotina. E o prejuízo de pular uma etapa é alto: um aparelho com conta presa vira sucata de peça, e um aparelho impedido não funciona com chip nenhum no Brasil, ou seja, não dá para revender.

Onde achar o IMEI (e por que conferir em mais de um lugar)

O IMEI é o número de 15 dígitos que identifica cada celular. Aparelho com dois chips (ou chip + eSIM) tem dois IMEIs. Você encontra o número em vários lugares, e a regra é simples: todos têm que bater.

  • Discando *#06# no próprio aparelho.
  • No iPhone, em Ajustes > Geral > Sobre. No Android, em Configurações > Sobre o telefone.
  • Na etiqueta da caixa e na nota fiscal de compra original.
  • Em alguns modelos, gravado na bandeja do chip ou na traseira.

Se o IMEI da tela não é o da caixa, desconfie: pode ser caixa de outro aparelho ou placa trocada. Outra checagem rápida: o último dígito do IMEI é um dígito verificador calculado pelos outros 14 (algoritmo de Luhn). IMEI digitado errado ou inventado costuma falhar nessa conta, e qualquer sistema decente de loja de celular faz essa verificação na hora.

IMEI impedido: roubo, furto e perda

Quando o dono registra roubo, furto ou perda e pede o bloqueio à operadora, o IMEI entra no cadastro nacional de aparelhos impedidos, compartilhado entre as operadoras. A partir daí o celular não funciona na rede de nenhuma operadora brasileira, com qualquer chip. Desde dezembro de 2023 o governo federal também mantém o programa Celular Seguro, que facilita esse pedido de bloqueio pelo dono.

Existe consulta pública de aparelho impedido pelo IMEI. Faça a consulta com o aparelho na mão, antes de fechar o valor. Dois cuidados: (1) consulta limpa hoje não garante nada amanhã, porque o dono pode registrar a ocorrência depois; por isso a documentação da compra é tão importante quanto a consulta; (2) a Anatel também pode bloquear aparelho irregular, como IMEI adulterado ou aparelho não homologado. IMEI que não bate com o modelo é sinal vermelho.

iCloud e conta Google: o bloqueio que mata a revenda

No iPhone, o Bloqueio de Ativação fica ligado enquanto o "Buscar iPhone" estiver ativo na conta do dono. Se o aparelho for apagado sem sair da conta, na hora de configurar ele pede o Apple ID e a senha do antigo dono. Sem isso, o iPhone não ativa. No Android a proteção equivalente é a FRP (proteção contra redefinição de fábrica): depois de um reset, o aparelho pede a última conta Google que estava nele.

  • Faça o vendedor sair da conta na sua frente: no iPhone, Ajustes > [nome da pessoa] > Sair; no Android, remover a conta Google em Configurações > Contas.
  • Depois peça para apagar o aparelho (no iPhone, Ajustes > Geral > Transferir ou Redefinir > Apagar Conteúdo e Ajustes).
  • Ligue de novo e avance até a tela inicial de configuração. Se pedir conta do antigo dono, não compre.
  • Nunca aceite "eu tiro a conta depois" ou senha anotada num papel. Quem sumir depois leva o seu dinheiro junto.

Aparelho gerenciado por empresa (MDM)

Celular corporativo ou de locação costuma ser gerenciado à distância por um sistema de gerenciamento de dispositivos (MDM). Esse aparelho pode ser travado pela empresa dona a qualquer momento, mesmo depois de você comprar. No iPhone, olhe em Ajustes > Geral > VPN e Gerenciamento de Dispositivos: perfil de empresa instalado é alerta. Se, ao configurar depois de apagar, aparecer uma tela de "Gerenciamento Remoto" com o nome de uma organização, o aparelho pertence a ela. No Android, aparelho corporativo costuma exigir o cadastro da empresa logo após o reset.

Peças, bateria e funcionamento

Procedência limpa não basta; o aparelho também tem que estar do jeito que o vendedor diz. Teste com calma, sempre na mesma ordem:

  • No iPhone, Ajustes > Geral > Sobre > Peças e Histórico de Serviços (nos modelos mais recentes) mostra tela, bateria ou câmera que não são originais ou não foram reconhecidas.
  • Saúde da bateria: no iPhone, em Ajustes > Bateria. Abaixo de 80%, conte com a troca da bateria no seu custo.
  • Face ID ou Touch ID, câmeras frontal e traseira, microfones, alto-falante e auricular.
  • Tela: toque em todos os cantos, manchas, linhas, pixels mortos e brilho.
  • Sinal com chip nas duas posições, Wi-Fi, Bluetooth e GPS.
  • Carregamento pelo cabo (e por indução, se o modelo tiver), botões e vibração.

Garantia e nota de origem

Para iPhone, a cobertura de garantia aparece no site da Apple consultando o número de série. Para Android, cada fabricante tem a sua página de consulta. Aparelho ainda na garantia do fabricante vale mais na revenda. Peça também a nota fiscal original. Se o vendedor não tiver, a declaração de procedência assinada (abaixo) passa a ser obrigatória.

Como o lojista se protege no trade-in

  • Documento com foto do vendedor e cadastro com CPF, endereço e telefone que atende.
  • Declaração de venda assinada com IMEI, modelo, valor, data e a afirmação de que o vendedor é o dono e que o aparelho não tem origem ilícita.
  • Foto do aparelho e da tela com o IMEI, guardadas junto da compra.
  • Pagamento por Pix ou transferência para conta no CPF do próprio vendedor. Fica o rastro, e dinheiro para terceiro é sinal de alerta.
  • Registro da consulta de IMEI com data, guardado com a compra.
  • Entrada no estoque já com o IMEI, para rastrear o aparelho até a revenda.
  • Nova consulta antes de revender, se o aparelho ficou parado por muito tempo.

Desconfie de três sinais juntos: preço bem abaixo do mercado, pressa para fechar e história mal contada sobre a origem. Nenhuma margem compensa comprar receptação.

Checklist para deixar no balcão

  • IMEI da tela = caixa = nota? Dígito verificador válido?
  • Consulta de aparelho impedido feita e registrada?
  • Conta Apple ou Google removida e aparelho apagado na sua frente?
  • Sem perfil de gerenciamento de empresa?
  • Peças, bateria e funções testadas?
  • Documento, declaração assinada e pagamento no CPF do vendedor?
No Celldesk, a consulta de IMEI fica dentro do sistema, em qualquer plano, cobrada por pacote de consultas: antes de pagar o usado, você vê modelo real, cor, iCloud, bloqueio e lista de roubo. O IMEI do trade-in passa pela checagem do dígito verificador, o aparelho entra no estoque já com o IMEI, e dá para emitir um certificado de procedência por aparelho, que só sai com uma consulta válida dos últimos 30 dias. Teste 15 dias grátis, sem cartão.

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